
"As minhas mãos mantêm as estrelas
Seguro a minha alma para que se não quebre
A melodia que vai de flor em flor
Arranco o mar do mar e ponho-o em mim
E o bater do meu coração sustenta o ritmo das coisas."
Sophia de Mello Breyner

sábado, março 31, 2012 | Marcadores: Sophia de mello Breyner
sábado, março 31, 2012 | Marcadores: Osho
sexta-feira, março 30, 2012 | Marcadores: Aline Calixto
quinta-feira, março 29, 2012 | Marcadores: Fabrício Carpinejar
quinta-feira, março 29, 2012 | Marcadores: Noemyr Gonçalves

A alegria era tão grande que já não cabia nos potes que levava no bolso! Não fazia mal, não fez, não fará, porque alegria de bolso já não a interessava mais. A danada da alegria tomava conta de cada canto de seu corpo, era como estrelas que faíscavam. Como o Sol a brilhar com muita força, só que dentro dela. Sorria pra ela, pro mundo. Apreciava tudo com a delicadeza das borboletas. Respirava as flores, as amizades, os amores, as conversas, os silêncios, o verde e o azul das coisas. Respirava a vida, enfim!
Noemyr Gonçalves
quinta-feira, março 29, 2012 | Marcadores: Ana Jácomo
quarta-feira, março 28, 2012 | Marcadores: Ana Jácomo
quarta-feira, março 28, 2012 | Marcadores: Clarissa Corrêa
terça-feira, março 27, 2012 | Marcadores: Marla de Queiroz
domingo, março 25, 2012 | Marcadores: Zélia Duncan
sábado, março 24, 2012 | Marcadores: Camila Heloíse

Não era qualquer coisa que iria endireitar meu espírito. Nem qualquer sacanagem que me encantaria. Ou qualquer meio beijo que me faria ficar. Eu precisava de outras coisas pra topar fechar os olhos e pular no abismo de alguém. Precisava de céu que significasse mais do que um azul infinito, precisava entender porque eu queria tanto ver o mar. E precisava de alguém que não quisesse fazer meu coração em picadinhos pra caber no próprio peito, e aceitasse ele inteiro, gigante.
Camila Heloíse
sábado, março 24, 2012 | Marcadores: Cazuza
sexta-feira, março 23, 2012 | Marcadores: Jimmy Cliff
quarta-feira, março 21, 2012 | Marcadores: Marla de Queiroz
quarta-feira, março 21, 2012 | Marcadores: Clarissa Corrêa

Sempre me senti diferente dos outros. Não mais bonita, não mais inteligente, não mais especial, não mais esperta, não mais maluca, não mais legal, apenas diferente. Sou diferente na forma de sentir, tudo que me toca, me toca fundo. Tudo que me alegra, me alegra muito. Tudo que me dói, dói forte, corta. Nunca tive muitos freios em matéria de sentimento. Sempre que eu quis ir, fui. Muito me estrepei. Sempre que quis falar, falei. Muito me ralei. Aprendi um pouco a calar, a tentar respirar fundo e pensar.
Clarissa Corrêa
terça-feira, março 20, 2012 | Marcadores: Ana Jácomo

O tempo, de vento em vento, desmanchou o penteado arrumadinho de várias certezas que eu tinha, e algumas vezes descabelou completamente a minha alma. Mesmo que isso tenha me assustado muito aqui e ali, no somatório de tudo, foi graça, alívio e abertura. A gente não precisa de certezas estáticas. A gente precisa é aprender a manha de saber se reinventar. De se tornar manhã novíssima depois de cada longa noite escura. De duvidar até acreditar com o coração isento das crenças alheias. A gente precisa é saber criar espaço, não importa o tamanho dos apertos. A gente precisa é de um olhar fresco, que não envelhece, apesar de tudo o que já viu. É de um amor que não enruga, apesar das memórias todas na pele da alma. A gente precisa é deixar de ser sobrevivente para, finalmente, viver. A gente precisa mesmo é aprender a ser feliz a partir do único lugar onde a felicidade pode começar, florir, esparramar seus ramos, compartilhar seus frutos...
Ana Jácomo
terça-feira, março 20, 2012 | Marcadores: Ana Jácomo
terça-feira, março 20, 2012 | Marcadores: Caio Fernando Abreu
segunda-feira, março 19, 2012 | Marcadores: Rita Apoena

Sugestão para presente:
Amor. Bolinhas de sabão. O som de copos com água. O som das gotas no chão. A música por trás dos ruídos. Um coração encostado no outro. Um avião nas mãos de um menino. Um barquinho de papel. Uma pipa atravessando as nuvens. Uma sementeira de tulipas. Um mingauzinho de aveia. Um par de meias listradas. Dois ou três cata-ventos. Uma palavra inventada.
Rita Apoena
segunda-feira, março 19, 2012 | Marcadores: Briza Mulatinho
domingo, março 18, 2012 | Marcadores: Lídia Martins

É noite aqui. Levanto os olhos pro céu como se quisesse caçar estrelas que me escapam em pleno vôo. Pergunto-me, como é possível sentir alguém tão distante e, no entanto, poder ler cada dobra de seus lábios. O monstro de chocolate continua fazendo sombra na minha escrivaninha. Continua nevando aqui. Mas muito pouco. Eu fujo da neve, para que meu coração não esfrie. Vai ver esta neve é a caspa de Deus coçando a cabeça, enquanto pensa no que vai fazer comigo.
Lídia Martins
domingo, março 18, 2012 | Marcadores: Lídia Martins

Mas que bonito é já saber onde não se quer estar. Passei as mãos pela cabeça e afastei os cabelos bem demoradamente. Era tarde demais para desistir de ser feliz. Continuo sem saber onde está a agulha para costurar esses maus dias e fazer deles uma colcha de esquecimento. Mas não é por isso que vou parar de acreditar. Quero forrar as lembranças mais lindas em minha cama e fazer dormir todas as dores que já senti. Amarelo-ouro - foi assim que amanheci. Eu amei um pássaro. Queria te pedir pra ficar. Decidi te pedir pra voar. Voa. Reúne tuas forças. Voa. Transpõe os céus. Voa. Ultrapasse as nuvens. Voa. Acenda as estrelas para que eu te possa ver brilhar. Voa. Senta no colo da lua para ela te enfeitiçar. Voa. E jogue raios de sol por onde você passar. Voa. Espanta com teu sorriso toda a tristeza que no seu caminho atravessar. Voa. Contempla a linha comprida do horizonte. Voa. Respire o ar puro que há por trás daqueles montes. Voa. Olha o sem-fim do mundo dos ombros desse gigante.Voa. Brinque com os cometas por entre os pés de vento. Pisa no ar. E me traga de presente a Via-Láctea quando voltar. Só não derrube as amorinhas fendilhadas brilhando em verde azul, ou a amoreira vai outra vez se abalar. Esperava em silêncio, mas o coração fazia muito barulho. Era rosa. Tinha medo de despetalar.
Lídia Martins
sexta-feira, março 16, 2012 | Marcadores: Anais Nin

Passei a maior parte da minha vida enriquecendo uma longa espera pelos grandes acontecimentos. Agora compreendo a estranha inquietação, o trágico senso de fracasso, o profundo descontentamento. Eu estava esperando a hora de expansão, do viver verdadeiro. Todo o resto foi uma preparação para ficar apoiada em meus próprios pés novamente, para não depender de ninguém. Por quê? Medo de ser magoada mais uma vez...
Anais Nin
sexta-feira, março 16, 2012 | Marcadores: Tati Bernardi

E voei, voei. Eu e o meu medo de me magoar de novo com todo mundo e precisar de novo odiar tanto e me proteger tanto que fico demasiadamente má e me sinto má e começo a fazer maldades comigo. Eu prefiro esse peito todo errado do que outro peito. Eu gritava. Eu prefiro mil vezes me assumir do que assumir o mundo mil vezes errado. Eu gritei. E então, tudo continuava ali, prestes a dar muito errado, a falir, a cair no chão e fazer meu próprio buraco. Tudo estava ali. Todo o meu potencial gigantesco pra fazer da minha vida um inferno imenso. E eu assumi meu peso, eu assumi meu medos, eu assumi toda a merda. E assim, voei ainda mais alto, como se flutuasse. Eu peguei pra mim tudo o que soltava por aí e, surpreendentemente, fiquei mais leve. Se dava pra ir de pesadelo pra sonho deitada, imagina o que eu não poderia fazer da minha vida a hora que ficasse em pé.
Tati Bernardi
sexta-feira, março 16, 2012 | Marcadores: Tati Bernardi
sexta-feira, março 16, 2012 | Marcadores: Tati Bernardi

Essa vida viu, Zé. Pode ser boa que é uma coisa. Já chorei muito, já doeu muito esse coração. Mas agora tô, ó, tá vendo? De pedra. Uma tora. Um macho. (...) Sabe Zé, no começo doeu não sentir nada. Mas eu consegui. Eu não sinto nada. Nada. Nem pena do mundo eu consigo mais sentir. Minha pureza era linda, Zé, mas ninguém entendia ela, ninguém acolhia ela. Todo mundo só abusava dela. Agora ninguém mais abusa da minha alma pelo simples fato de que eu não tenho mais alma nenhuma. Já era, Zé. É isso que chamam de ser esperto? Nossa, então eu sou uma ninja. Bate aqui no meu peito, Zé!? Sentiu o barulho de granito?
Tati Bernardi
sexta-feira, março 16, 2012 | Marcadores: Tati Bernardi

Eu nunca vou entender porque a gente continua voltando pra casa querendo ser de alguém, ainda que a gente esteja um ao lado do outro. Eu nunca vou entender porque você é exatamente o que eu quero, eu sou exatamente o que você quer, mas as nossas exatidões não funcionam numa conta de mais. Mas aí, daqui uns dias, igual faz há alguns anos, você vai me ligar. Querendo tomar aquele café de sempre, pegar aquele cineminha, querendo me esconder como sempre... E eu vou topar. Não porque seja uma idiota, não me dê valor ou não tenha nada melhor pra fazer. Apenas porque você me lembra o mistério da vida. Simplesmente porque é assim que a gente faz com a nossa própria existência: não entendemos nada, mas continuamos insistindo.
Tati Bernardi
sexta-feira, março 16, 2012 | Marcadores: Fernanda Mello
sexta-feira, março 16, 2012 | Marcadores: Caio Fernando Abreu

A gente finge que arruma o guarda-roupa, arruma o quarto, arruma a bagunça. Tira aquele tanto de coisa que não serve, porque ocupar espaço com coisas velhas não dá. As coisas novas querem entrar, tanta coisa bonita nas lojas por aí. Mas a gente nunca tira tudo. Sempre as esconde aqui, esconde ali, finge para si mesmo que ainda serve. A gente sabe. Que tá curta, pequeno, apertado. É que a gente queria tanto. Tanto. Acredito que arrumar a bagunça da vida é como arrumar a bagunça do quarto. Tirar tudo, rever roupas e sapatos, experimentar e ver o que ainda serve, jogar fora algumas coisas, outras separar para doação. Isso pode servir melhor para outra pessoa. Hora de deixar ir. Alguém precisa mais do que você. Se livrar. Deixar pra trás. Algumas coisas não servem mais. Você sabe. Chega. Porque guardar roupa velha dentro da gaveta é como ocupar o coração com alguém que não lhe serve. Perca de espaço, tempo, paciência e sentimento. Tem tanta gente interessante por aí querendo entrar. Deixa. Deixa entrar: na vida, no coração, na cabeça.
Caio Fernando de Abreu
quinta-feira, março 15, 2012 | Marcadores: Ana Jácomo

Não é preciso agendar, entrar em fila, contar com a sorte, acordar cedo para pegar senha: a possibilidade de recomeço está disponível o tempo todo, na maior parte dos casos. Não tem mistério, ela vem embrulhada com o papel bonito de cada instante novo, essa página em branco que olha pra gente sem ter a mínima ideia do que escolheremos escrever nas suas linhas. O que é preciso mesmo é coragem para abrir o presente.
Ana Jácomo
